Liderança
Estratégia e tática: o que o xadrez ensina sobre liderança

Um dos meus maiores desafios como CTO é que eu preciso navegar entre detalhes táticos junto com meu time de engenharia e decisões estratégicas junto com outros diretores.
As palavras “estratégia” e “tática” são muito comuns em um dos meus hobbies favoritos: o xadrez. Então senta que lá vem viagem.
No xadrez, estratégia é o plano: como vou atacar o rei adversário? quero controlar o centro ou vou atacar pelos flancos? quero ir pra um final agora ou quero jogar mais o meio-jogo? Tática são os movimentos concretos que permitem executar esse plano. Vou avançar esse peão e dar um duplo ataque; vou colocar o cavalo aqui, pq ele vai ser obrigado a mover a dama dele, fragilizando aquela casa onde quero então plantar meu bispo.
Como jogador de xadrez, você precisa decidir sua estratégia, e a estratégia é o que vai levar você a ganhar um jogo. Mas há um problema: se não existe nenhuma sequência de movimentos capaz de viabilizar seu plano, você realmente tem uma estratégia? Do que adianta minha estratégia ser dominar o centro, se todos os meus peões centrais já foram embora e o adversário tem um cavalo plantado entre dois peões ali?
Acho que o mesmo vale para negócios.
Podemos decidir que nossa estratégia é crescer por um determinado mercado, competir por preço ou apostar em um novo canal. Mas, se não conseguimos imaginar ações concretas e plausíveis para fazer isso acontecer, talvez ainda não tenhamos uma estratégia. Temos uma intenção. E de boas intenções, o mundo dos negócios está cheio.
Isso não significa que precisamos ter o caminho das pedras bem claro antes de decidir a estratégia. Estratégia lida justamente com incerteza.
Mas precisa existir pelo menos um caminho plausível entre “onde estamos” e “onde queremos chegar”. Assim como no xadrez, estratégia e tática podem ser conceitos diferentes, mas é difícil pensar bem em uma sem pensar na outra.
PS: Se está procurando por um livro legal de xadrez, adorei o “Winning Chess Strategies” do Yasser Seirawan.